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quinta-feira, 26 de março de 2015

Há um programa melhor que o Bolsa-Família



O Bolsa Família foi protagonista da última eleição para presidente. Os dois partidos que foram ao segundo turno foram disputando a paternidade do programa, no que cada um contribuiu com um aspecto. Infrutífero foi discutir de quem é a culpa ou mérito, para além dos interesses eleitoreiros. Mais cabe perguntar: como podemos ter mais ideias que erradiquem a miséria? Como podemos aprimorar estas ideias?

A discussão eleitoral foi longa. Basicamente se discutiu se o benefício era de fato benéfico ou não no sentido de tirar as famílias da zona da miséria. Os desfavoráveis ao programa argumentam que ‘dar o peixe’ cria dependência, e que faríamos melhor se ‘ensinássemos a pescar’ ao invés de incentivar o assistencialismo. Também houve críticas quanto aos números que refletem o sucesso do programa. Enquanto o governo alardeava que os benefícios foram extendidos a mais famílias, houve quem questionasse a eficácia do programa. Estes sugeriam que o sucesso do mesmo deveria ser avaliado não pelo crescente número de famílias que passa a ser beneficiado pelo programa, mas, ao contrário, pelo número de famílias que deixa de ser beneficiado pelo programa por ter adquirido renda mensal acima do teto.

Discussões pontuais quanto ao programa à parte, ele goza de boa aceitação popular. Mas escrevo o texto para colocar outra questão também. Será que não conseguimos aprimorar o Bolsa-Família, levando em consideração as críticas existentes? Aparentemente, um programa melhor já existe desde 1991. Chama-se Saúde Criança, de iniciativa da pedagoga Vera Cordeiro. Aqui está ele: http://www.saudecrianca.org.br/nosso-trabalho/resultados-de-impacto/

Se tudo o que ali se veicula de fato é alcançado, há um modelo já testado e implementado (por 23 anos), de intervenção limitada temporalmente (até 3 anos), onde famílias têm um retorno estrutural (saúde, habitação, financeiro e educação) persistente, quer dizer, que perdura mesmo após a intervenção. Está aí algo a ser analisado e estudado. O que está sendo apresentado leva a crer que seria possível ao governo implementar um programa social mais eficiente e sustentável, e, portanto, mais benéfico. Se o exemplo não falta, o que falta então? Iniciativa!

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