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sábado, 27 de dezembro de 2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

O que o poder público contrata o poder privado para fazer com o que eram os nossos Belos Montes

Uma aula...
De direito, licitação, parcerias público-privadas, ecologia, antropologia, jornalismo, efeitos motivadores do capitalismo, de ideais de vida e de trabalho


Ou melhor:
VÁRIAS AULAS,
De Brasil, de corrupção, de burrice, de ganância...
E não, não dá para resumir:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/01/opinion/1417437633_930086.html

sábado, 13 de dezembro de 2014

Desgoverno



Governo Federal descumpre a lei e altera a lei para não ser incriminado (em crime de responsabilidade fiscal). Quarto poder (o povo e a opinião pública) assiste impassível, acreditando que só existem três poderes: http://www.revistaamalgama.com.br/11/2014/a-lei-ora-a-lei/

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Explicando renda per capita e políticas de distribuição (ou sobre garotas suecas)



“Bem, amigos, este mês, com o esforço do todos, conseguimos juntar $10. Agora chegou a hora da distribuição. Como somos dez pessoas, cada um recebe $1. Eu sei que é pouco. Também olho para os vizinhos além-mar e penso que poderíamos melhorar. Lá o mesmo número de pessoas consegue juntar $50. E é por isso que cada pessoa lá ganha $5. Eu não sei como eles fazem, mas fato é que não fazemos o mesmo. Temos que descobrir o que fazer.”

Existem muitos problemas sociais, mas o segredo da riqueza, das condições materiais não está intrinsecamente em políticas distributivas, que são necessárias, mas dependem inelutavelmente da produtividade. Isso é fundamental entendermos. Fala-se de PIB porque PIB é um indicador econômico, é um indicador de riqueza. Sem dúvida o IDH é mais importante do que o PIB, só que alcançar um IDH mais alto depende de alcançarmos melhores condições materiais também. É por isso que se fala sobre PIB, porque o desenvolvimento de nosso IDH está parcialmente atrelado ao desenvolvimento de nosso PIB.

É verdade que o debate centrado nas políticas distributivas é pernicioso. Temos que debater projetos sobre a educação. É isso que está faltando. Falta-nos entender que o debate não é uma questão de ideologia, mas que se insere no campo factual e está sujeito às interpretações científicas sobre o tema, muito mais rigorosas. A economia e a educação dispõe de um conjunto de técnicas que deve ser levado a sério.

Nota: a metáfora que abre o texto corresponde a nós = Brasil, vizinhos = Suécia, e a proporção de renda é real: os suecos ganham cinco vezes mais que os brasileiros (renda por capita, nominal, dados do FMI, 2013). A população real, no entanto, difere: o Brasil é cerca de 20 vezes a população da Suécia.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"A solução para o nosso povo eu vou dar..."1



Ricardo Amorim avisou... semana passada? Não, em 2011. Ele avisou que a vida ia piorar para quem tinha condições? Não, ele avisou que ia piorar para quem tinha menos condições. Mas, repete aí, Amorim, qual é o remédio para segurar a inflação? O que é que tem que fazer para frear o preço do tomate, da energia elétrica e tudo o mais?

Ricardo Amorim: “No caso, o remédio é a elevação da taxa de juros, que, além de frear a atividade econômica, também funciona como um mecanismo concentrador de renda. Enquanto os mais pobres, normalmente, tem dívidas, cujo financiamento fica mais caro com a alta dos juros; os mais ricos tem aplicações financeiras, cuja rentabilidade sobe junto com os juros.”

E o que deveríamos fazer?

Amorim: “Para reacelerar o processo de redistribuição de renda no Brasil, [...] o governo precisaria, apenas, de mais duas medidas. Primeiro, aumentar investimentos em educação básica. [...] Além disso, o governo deveria reduzir seus gastos. Assim, diminuiria sua necessidade de financiamento, permitindo que os juros caíssem. Permitiria também a redução de impostos, que, no Brasil, penalizam os mais pobres com uma concentração de impostos sobre consumo.”

Texto completo: http://ricamconsultoria.com.br/news/artigos/aposentando-a-maquina-concentradora-de-renda-062011

1 Título por Raul Seixas: Aluga-se

domingo, 2 de novembro de 2014

Nossa amiga, a disparidade econômica



No presente momento, o Congresso Nacional discute o aumento do seu próprio subsídio, via discussão do orçamento do Poder Judiciário. O solicitado pelo Judiciário é R$ 35,9 mil, mais de 20% acima dos atuais R$ 29,4 mil. O salário atual, R$29,4 mil, reprenta mais do que 40 vezes o que o salário mínimo. Normalmente o sálario do trabalhador médio tem sido sempre reajustado em correspondência à inflação oficial, que sequer mede a inflação real. Porque os mais altos salários públicos do país não deveriam seguir padrão semelhante? Todos aqueles que são favoráveis à diminuição da desigualdade de renda deveriam, por coerência lógica, ser favoráveis à tal proposta.

Ademais, qual é a moralidade de um grupo de pessoas que mede seu próprio desempenho? Qual é a moralidade de um grupo que decide sua própria remuneração? Devem os três poderes estarem sujeitos aos desejos do povo. Por que deveriam eles estar sujeitos à funcionamento diferente daquele aplicado ao restante da população? É de fato o que queremos, que um salário no Brasil consiga ser quase 50 vezes o valor do salário mínimo?

Por que não criamos um projeto de lei ou encabeçamos um referendo popular onde definimos que os reajustes do teto destas classes profissionais (as dos três poderes) sejam indexados a um critério objetivo, ao invés de ser discutido discricionariamente pelas próprias partes interessadas? Por que não, por exemplo, a um desempenho econômico condizente com o país? Por que não indexar os maximos subsídios à flutuação anual do PIB ou da inflação? Especialmente agora, onde o momento de um ajuste fiscal se aproxima.

É minha sugestão.

sábado, 1 de novembro de 2014

O findo debate eleitoral e o dilema político atual



Passadas as eleições, mas não sua ressaca, difícil é escolher a notícia da semana, tarefa da qual não devemos nos furtar. O uso que fizemos do período eleitoral, centrado largamente na falsa dicotomia de que o projeto de distribuição de renda era encarnado pela candidata Dilma e o de crescimento econômico o era pelo candidato Aécio falhou em nos fornecer um debate político claro e inequívoco. Isso porque deveria estar claro a todos que tanto a distribuição de renda já existente quanto o real aumento de renda de toda a população são indispensáveis. E o são por dois simples motivos: 1. Porque parte da população vive em condições deploráveis e que necessitam de uma intervenção imediata, grande e inteligente (que deve ir muito além do Bolsa-Família). 2. Porque o fracasso em aumentar a renda dos mais ricos termina por minar ou limitar o saneamento das condições supracitadas (a falha em angariar renda redunda em falta de renda a ser distribuída – é dizer: nem as condições de vida de uns nem a de outros aprimora-se).

É verdade que o aumento de renda dos mais ricos pode implicar em aumento da desigualdade social (ou mais precisamente, da disparidade econômica). E é por este motivo que torna-se necessário uma intervenção que seja, ao mesmo tempo, a mais rapidamente aplícavel, a mais ampla e aquela pela qual as pessoas com menos possibilidades consigam organizar-se em modos autossustentáveis.

Logo, tanto o primeiro projeto depende do segundo, quanto o segundo não deveria ser implementado sem o primeiro. E, evidentemente, ambos os projetos devem ser implementados pelo governo eleito, independente a qual partido pertença. Passado este ponto, o da falsa dicotomia, restaria-nos efetivamente discutir ambos os projetos, isto é, (1) qual é melhor método para fazer com aqueles que possuem menos recursos consigam organizar-se de modo autossutentável, e (2) qual é o melhor método para que a economia brasileira cresça.

Verdade é que nenhuma proposta pungente quanto ao projeto 1 (distribuição de renda) ganhou fôlego nos últimos anos, de modo que formou-se um certo consenso de que o Bolsa-Família e o Pronatec são de fato os melhores métodos dos quais se dispõe. Apresentar propostas de aprimoramento a estes programas e propostas alternativas a eles demandam maior tempo de exposição e argumentação. Por outro lado, o melhor método quanto ao projeto 2 (crescimento econômico) tem se mostrado muito claro em boa parte da mídia, há pelo menos dois anos, senão mais. Creio que devemos compilar as perspectivas críticas que surgiram nestes últimos anos, tanto para que o debate político prossiga, quanto para esclarecer ideias equivocadas, preconceituosas e completamente falsas que o debate eleitoral mal-intencionado (ou mal-informado) ensejou. Ideias estas que não devem se perpetuar para todos nós que sempre sonhamos com um Brasil cada vez melhor.

Bom, mas e a tal notícia da semana? Fico com esta, do economista Mansueto Facundo de Almeida Jr: http://mansueto.wordpress.com/2014/10/28/a-dificuldade-do-ajuste-fiscal/ - aliás, valeria a pena ler seu blog de cabo a rabo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Queridíssima Cinderela


Estou completamente certo de que
o inferno é apenas uma vitrine do céu.


Eu só tenho um vestido de vidro para você. Devemos prová-lo?



Não sou o único,
Obcecado com o sol,
Receoso do que encontro,
Quando olho para dentro.1


Sois ao mesmo tempo
Salvação e perdição,
O mais que quero,
O mais que suporto ter


Só os filósofos a saúde escolhem -
Empresários, artistas, não.
Podemos escolher o que somos?


Para dentro, quando olho,
É o mesmo sol que encontro.
Abrir os olhos, fechá-los,
Ao fim talvez seja o mesmo.


Para entender se és gostável,
Preciso checar se és lambível.
Não é preciso o suficiente perguntar:
Mostrarás o que desejas,
E eu perceberei o que eu desejo.
E aquilo que desejamos é muito perigoso.


A bobagem, o pecado, o erro e o errado... É com avidez que alimento o meu corpo, como o mendigo alimenta seus vermes. Não há mal no egoísmo que não exista igualmente no altruísmo. E, lá fora, sempre haverá um mal maior, ameaçando nos vencer.

As frondosas lágrimas é que perfazem a lama do caminho. Não há solução em querer somente para si ou dar-se a tudo. O mundo esvai a cada momento, e ninguém queria que ele parasse mesmo, ainda que pensemos que sim. Inimigos maiores espreitam.

2


A dor é irremediável, a injustiça é perene e natural, corpos e mentes se corrompem. Tudo o que podemos fazer é evitar a dor e de todas as corrupções ter a coragem de escolher a mais doce. No mundo da luxúria e da cobiça, a coragem sempre se esconde e culpa.

É o diabo que segura os fios que nos movem e suspendem. Nunca alimentarei o outro com a avidez que como. E cotidianamente condeno a fome que não é minha. O único defeito deste mundo, o único verdadeiro pecado, é a falta de alegria.

O único pecado neste mundo roto, sujo, violento e infame é a alegria que não me permito e que não permito a ti. A hiprocrisia de fingir que é nas prisões que decoramos que se encontra o sentido inefável, a beleza transcendente, o bem último que faria a eternidade suspirar.

Porque não quero que encene teus remorsos é que mal enuncio expectativas. Dá-me o que me dás de bom grado, já te tomei o que de ti pude conquistar, o resto deixemos para lá. Nunca te pedi nada, que não tua sinceridade. Deixe-me apenas ver teu corpo nu.

São a tristeza e a raiva os únicos crimes deste mundo: os olhos banhados em lágrimas descontroladas, o sonho do cadafalso, para mim ou para você. Tu o sabes, cara leitora: não traias as alegrias de nossos corpos e não te entregues à pusilanimidade deste mundo...3

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4


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1 Almost-translation of: U2 (1997). Staring at the Sun. Island: Pop.

2 Image by: Faster, pussycat! Gif! Gif! (2013). M (1931). Dir. Fritz Lang. Available at: http://fasterpussycatgifgif.tumblr.com/post/54926574926/m-1931-dir-fritz-lang

3 Reference to: Baudelaire, Charles (1857 [2008]). Les Fleurs du Mal. Edition by Josef Nygrin. Available at: http://www.paskvil.com/file/files-books/baudelaire-fleurs.pdf

And You Will Know Us by the Trail of Dead (2002). Sources Tags & Codes. Interscope.

Noteworthy the consultation to the translations of: Ivan Junqueira, E. M. S. Danero, Roy Campbell and William Aggeler.

4 Video by: Modern English (1982). I melt with you. 4AD Records: After the Snow.



sábado, 7 de junho de 2014

Paradoxo da Inteligência n. II


"O tolo realmente pensa ser sábio, contudo o sábio sabe que é um bobo"1


2


(I) Se o problema é ser menos inteligente do que outrem, todas as pessoas do mundo têm este problema, à exceção de uma.

(II) Logo, o problema não deve ser este, e só pode ser o fato de não aceitar que alguém é mais inteligente que você.

(III) Finalmente, aceitar que há pessoas mais inteligentes do que você é a coisa mais inteligente a se fazer.


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Modelo de raciocínio:

(I) Premissa primeira: Do problema à lógica;
o problema é corretamente situado dentro do contexto, com embasamentos empíricos e possibilidades lógicas verificadas.

(II) Premissa segunda: Da lógica à saúde;
o que é entendido como problema é reinterpretado conforme as possibilidades e potencialidades do corpo3, isto é, as possibilidades de ação: "o que posso fazer a respeito?"

(III) Conclusão:
III.I. A dificuldade de reconhecer que a lógica se submete hieraquicamente à ética cria o aspecto paradoxal; por outro lado,
III.II. Agir em consonância ao maior princípio ético realiza a maior potência do corpo.

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1 Quote by: Shakespeare, William (2014 [1600]). "As You Like it". Available at: http://shakespeare.mit.edu/asyoulikeit/full.html, in: 2014-06-05. Tradução minha.

2 Image by: OpenClips - "Joker clown bauble bells fool jester puppet rod". Available at: http://pixabay.com/en/joker-clown-bauble-bells-fool-161416/, in: 2014-06-05.

3 Cf.: Spinoza, Benedict de. (2014 [1677]). "Ethica Ordine Geometrico Demonstrata". Available at: http://www.ethicadb.org/index.php?lg=en, in: 2014-06-05

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deficiência

Mesmo se você é uma das mais de 3 milhões de pessoas que já assistiu a este vídeo, lhe diria que é proveitoso vê-lo, mais de uma vez inclusive.



É como se nos dissesse: "A questão não é se sua deficiência é visível ou invisível mas se você está fazendo algo para superá-la. E mais: se você está contribuindo gentilmente para que outro ser possa superar as suas."

Em outro post falávamos sobre capitalizar o humanismo... É o hábito que forma a mente saudável. Em tudo que se começa, sobretudo quando se começa o dia, é fundamental determinar valores e práticas, zerar os obstáculos mentais e físicos que nos separam daquela pessoa que queremos ser. Evidentemente cada um pode definir seus valores e práticas, de forma independente, tanto quanto o conseguir. Porém o vídeo como exemplo nos mostra que a pessoa que queremos ser dificilmente não passa pela pessoa que as pessoas querem que sejamos. E ao mostrá-lo, estabelece mais uma vez o modelo. Alguém pode achar que é piegas ou não se comover o suficiente, mas dificilmente seria porque esta pessoa viva sem ideais.

Quando alguém estuda, transforma sua passiva participação de telespectador para apropriador de tecnologia. estudar é se expor ao conteúdo mais de uma vez e trabalhar na interpretação dele. comportamento gera atitude e o que faz a atitude ser resiliente e grudar na sua personalidade é a repetição.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capitalizar a revolução humanista



Viver, amigo, é ser soldado1


2


3



A educação é uma construção horizontal, vertical, ética, lógica e empírica. A partir desta concepção, é melhor ser honesto do que genial. É melhor ser simples e inteligível do que ser complexo e revolucionário.

O simples fala a todos e pode, portanto, mudar o mundo. O complexo não dialoga com ninguém.

É o pragmatismo que nos diz: não há revolução sem metas. Isso implica, no mínimo, um prazo, um objetivo, dois planos, inúmeras preparações e, o principal, a execução antes da aurora.

Até quando você tem para terminar o que já deveria ter começado?

E quando, finalmente,
nosso inimigo chegar
- e ele nao está em toda parte? -,
Seremos tão rápidos
Que estivemos lá antes.


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1Epígrafe por Sêneca, Lúcio Anneo (2012). Aprendendo a Viver. Tradução de Lúcia Sá Rebello. L&PM. P. 98. Citação adaptada.

2Imagem por Lovering, Tom, captando escultura de Cochrane, Marco - Truth is Beauty.

3Música por Gabriel, O Pensador (2001). Até Quando? Sony: Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo). Track Number 2.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Space Oddity, Odisseia Espacial



Tanto a busca pela realidade

quanto o gosto pela fantasia

encontram o mesmo fim:

uma cova comum

com um epitáfio ilusório



1
2



-

3 From M. T.'s testament:

"...There must be a control, specially one from the ground, which is safe. Someone check that. Take the pills, 'cause the food we produce is not nutritive anymore, and the edible lifeforms are rare. Those pills will also let you centered on your mission, which is not your chosen mission, is the mission that we designed and designated for you. The pills will avoid distractions and attention driven to your unknown side, which is disturbing and not really you. Turn the engine, 'cause we'll need a lot of automatic resources. It will lead us ahead. We need the machines to produce us what is vital. Now we can ride in a stunning velocity, even though we cannot feel it. The sky and the Earth are blue, and I can barely breathe..."

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1 Image by: Kubrick, Stanley (1968). 2001: a Space Odissey. MGM.

2 Music by: Ramil, Vitor (2000). Estrela, estrela. Satolep Music: Tambong. Track 12.

3 Quote by: Tom, Major (2029). Testament. In: Jones, Davy (1969). Space Oddity. Mercury: David Bowie. Track 1.



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