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domingo, 28 de setembro de 2008

Chegar antes ao futuro

Drive your cart and your plow over the bones of the dead.*

















Isto é, chegar logo ao melhor: ascender em poder, ascender em prazer. Tornar-se livre, forte e ter para si tal sensação. Melhor expresso: não tornar a si mais vigoroso e independente, antes tornar-se outro, sim, mais robusto e autônomo - e proporcionar a este outro tal sensação. Natural, portanto, que o si, enquanto se esvai, experimente, até mesmo por comparação, sensações de enfraquecimento, impotência - ele está enfrentando suas próprias fraquezas, está passando por cima de suas próprias vulnerabilidades, está provando daquilo que lhe é mais doloroso, está se expondo abertamente para o que em si é inépcia. Há algo de mais aviltoso em um si que só morre se morrer o si. Não é agradável, por exemplo, enfrentar o objeto do seu temor, embora agradável seja ter enfrentado esse objeto: significa que ele tornou-se menos temível.

O futuro está na mente de alguns visionários: perceber quem são é já o primeiro passo para tornar-se um. Os que fazem o futuro, que, antes disso, o projetam (projetar: lançar à frente), e desse modo, produzem sua própria sorte: o mundo, o destino são reflexo do seu império, são os meios pelos quais realizam suas vontades e seus mais íntimos desejos. Não se chega lá sem vibrante imaginação e criteriosa perspicácia. Quem não é um visionário está morto, it's only a matter of time - matéria de tempo, apenas.

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* William Blake: Proverbs of Hell, in The Marriage of Heaven and Hell. Dirija, sagaz, carroça e arado sobre os ossos dos mortos.

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